Você sabia que o poeta Mario de Andrade visitou catolé?
Segue trecho do relato:
“O céu estava negro de nuvens que não se resolviam a chover sobre a terra, e apenas do lado do poente, uma nesga de céu limpo deixava uns últimos raios do sol focalizarem, para efeitos da fotografia que encima estas evocações, a igreja e as casas da sua direita, no imenso largo vazio. No alto do morro, uma capelinha votiva também gritava muito espevitadamente o seu branco sem poeira, como um defeito de película fotográfica. E as casas coloridas, encarnadas, azuis, verde, limão, brincavam, numa esperança de alegria, com o ambiente feroz”.
O escritor também se mostra encantado com o canto de uma mendiga que pedia esmolas na calçada.
"Deus li pague a santa esmola
Deus li leve no andô,
Acumpanhado di anjo
Acirculado di flô,
Assentado à mão direita,
Aos péis di Nosso Sinhô!
Termino de anotar a melodia e fico maravilhado contemplando a simplicidade genial dela. Que perfeição de linha, que equilíbrio de composição!"
Mário de Andrade teve grande influência na poesia moderna brasileira, foi força motriz na semana de arte moderna de 1922. É autor de dezenas de obras, sendo "Macunaíma" considerada sua obra-prima.
Só pós 70 anos da morte do poeta(1893/1945), foi possível escutar sua voz, em um registro único. A gravação, feita pelo linguista Lorenzo Turner em 1940, foi descoberta e tornada publica em 2015. O registro tem grande valor histórico, pois Mário conversa e também é gravado cantando e mostra que ele não esqueceu Catolé!
No áudio ele interpreta o canto da mendiga que ouviu em sua passagem por nossa cidade. Mesmo passados mais de 10 anos, Catolé não foi esquecida pelo grande poeta. Nos vídeos você pode escutar a canção e ouvir o próprio escritor explicando onde a ouviu.
Ainda sobre a rápida passagem por catolé em 1929, Mário, que também era musicólogo, escreveu:
"Termino de anotar a melodia e fico maravilhado contemplando a simplicidade
genial dela. Que perfeição de linha, que equilíbrio de composição! E que desmentido pra certas teorias. Canto em maior e rápido e apesar disso duma dor magnífica, pobre, mesquinha, triste mesmo."
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